Lá ia eu com todo o sucesso do mundo, tudo meio descartável. E você surge. Tão empenhado, tão decidido em aproveitar o momento oportuno para tentar fazer as coisas darem certo. Até me arrepia de lembrar como você foi montando peça por peça, com tanto cuidado, meio que pelas bordas, bem do tipo para não me assustar - já que eu andava completamente em fuga de qualquer tipo de relacionamento. Devo dizer que em toda a minha vida (até agora, claro), você está no segundo lugar do top 3 de 'se empenhar por mim'.
E eu, sabe se lá como, fui caindo aos poucos - bem aos poucos, já que parece que o cetiscimo virou tatuagem permanente nesse coração aqui. Daquele jeito de como eu me auto-ensinava: com calma, sem expectativas... É, aquela fórmula básica para evitar qualquer tipo de desilusão. Três estrelinhas no meu caderno, porque segui com sucesso nesse caminho e acho que você também.
Tudo ia bem, até que por um mal entendido, jogaram um balde de água fria em cima de tudo. No momento parecia que não era nada demais, porém agora, refletindo melhor, sinto como se fosse naquele momento que tudo começou a esfriar - ou não.
Bom, seguiu a vida, seguiu o baile do jeito que continuávamos dançando. Passou um tempo e tentei aceitar que alguns afastamentos são normais, quando você ressurge. Todo querido, todo carinhoso e todo tão você de ser. Até comentou por algum instante o como aquilo tudo parecia certo para nós, eu, é claro, dei risada e logo justifiquei suas palavras: 'é a bebida falando'. Tivesse eu dado mais atenção para tudo aquilo. E mais uma vez, você foi e eu fiquei.
Vida vai, vida vem e claro que tinha que ter uma mudança no percurso, um pensamento que mudasse tudo, para mim. "Talvez seja o certo" - maldita hora em que isso surgiu na minha nada calma mente. Pronto, a fórmula estava destruída e praticamente enterrada. Lá estava eu, com as minhas expectativas - que tiveram férias por um ano, dando também um tempo de recuperação para o coração. Mas não virei uma sonhadora romântica de um dia para outro novamente, não não. Continuei desejando que tudo fosse com calma, que tudo continuasse se desenrolando quase que como, perfeitamente. E você... sumiu.
Sabe qual é o problema? Nós seres humanos temos essa infeliz capacidade de complicarmos tudo o que está bem. Maldito 'E SE?' que nos cerca 24 horas por dia! 'E se eu estivesse sozinha? - E se eu estivesse com fulano? - E se eu abrisse mão disso para esperar viver outra coisa?'. E SE?
Me prendi tanto aos 'e se' da vida nos últimos tempos que quando finalmente consegui abrir mão deles para viver sem medo e me apaixonando pelo novo, sinto que você foi se deixando ir por um 'e se'. Ou não... Já não sei mais de nada.
Tentei. Tentei ser firme, ser forte e praticamente - como já dito - pregar meus dois pés ao chão. Não foi por falta de vontade, por falta de lições ou por falta de lágrimas. Não foi por falta de dor ou de desilusões que decidi que ceticismo seria um lema. Mas não adianta. Percebi que, quando está na essência do nosso ser, não tem como anular, apagar, enterrar e muito menos sufocar. Nasci para isso. Nasci pra viver paixões que me deixem sem ar, pra amar tanto de não conseguir olhar para o lado. Nasci para não tratar nada como reciclável e muito menos ser alguém do tipo.
Foi-se um ano, mas agora, sinto que estou de volta. Mais sábia, ainda com menos expectativas - até porque elas em excesso me fazem mal - e sem planejar demais. E mais do que nunca, preparada para deixar os 'e se' em um potinho no fundo do armário... Ou talvez, tirar só um lá de dentro e já fazer uso: 'E se você parar de sumir assim?'. Tenho saudades.
- Mood:
sad
Ah mas não, não nasci para ficar na calmaria sem me sentir plena. Depois de um ano cercado de mudanças e acontecimentos - bons e ruins - decidi de uma vez por todas: iria deixar a minha cidade natal, a comodidade de morar com os meus pais e meu trabalho fixo para me arriscar na - chamada por alguns - selva de pedra. Pasmem que após convencer meus genitores da mudança, nem tive tempo de sequer arrumar minhas bagagens - emocional e material - que não são pequenas. Vim. Vim com uma mala só de exatos 22,700kg.
Era como se um ser superior tivesse analisado todas as coisas ruins que enfrentei e falado: “Desculpa Amanda, agora vai, vou acertar os trilhos”. Já tinha tudo: casa, matrícula feita na pós-graduação e até mesmo trabalho. Parece até mentira, não é? Papai e mamãe ficaram responsáveis em trazer uma parcela das coisas materiais - sabe como é, não dá para viver de pijama. E surpreendentemente, quando dei por mim, tinha carregado nesse trajeto Curitiba - São Paulo toooooooooda a bagagem emocional, incluindo uma parte que preferia ter jogado pela janela do avião. No mesmo momento em que dei conta disso, lembrei da minha mãe, que sábia como só, me disse: “Filha, não ache que é saindo daqui que você escapa dos ‘problemas’”, ri sozinha. Ironia (fato) do destino que ela estaria mais do que certa.
Entrei em um completo transe. Parei, sentei, respirei e perguntei a mim mesma: “Pera lá, o que você veio fazer aqui mesmo?”, passado alguns minutos tinha a resposta na ponta da língua e com muita convicção. Foi aí que vi também que, mal chegando, eu já tinha que mudar algumas coisas por aqui se eu quisesse que tudo fosse se desenrolando como o planejado.
Surtei. Simples e claramente, surtei. Conversei com quem cuida de mim - mesmo que de longe - e decidi que tinha que fazer o que queria. Tinha que seguir em frente nunca esquecendo do tal sonho que todos falam. Fiz uma roda gigante e mudei algumas coisas para que, então, pudesse realmente começar a andar na direção certa por aqui - sabe como é, ir atrás do meu plano de vida.
Após começar a desatar os nós na minha cabeça, começo a me sentir um pouco mais leve e mais tranquila. “Nossa, você é tão nova, tem tanto tempo pra chegar lá”, ouvi por aqui. No mesmo instante pensei: “Que absurdo, tenho quase 24 anos e ainda não sou independente nem editora chefe da Vogue”. Pois é.
Essas mudanças de sair de baixo das asas dos pais tem dessas, a gente se perde. Nem que seja por uma hora, por um dia ou por algumas semanas. Nos perdemos. Duvidamos das nossas escolhas, dos nossos medos e dos nossos passos. Aí tem um lado bom meu: nunca duvidei da minha capacidade ou da minha meta. Ufa!!! Se isso acontecesse, sem dúvidas, estaria perdida de vez.
Não, de jeito algum foi fácil. Pelo contrário. Foi 39x mais difícil do que eu podia sequer imaginar em toda a minha vida. Sinto uma saudade dolorida todo santo dia da minha mãe, do meu pai e das minhas cachorrinhas. Tenho vários amigos que eu amo demais por aqui, mas os de lá me fazem uma falta incontestável. Aquela história de que cada um é cada um.
Não sinto falta das casas noturnas, dos bares, dos restaurantes ou dos cursos por lá. Sinto falta do meu quarto, do meu carro, das minhas tardes no salão e dos finais de semana que começavam na quarta e terminavam em reuniões gastronômicas nos domingos.
Mas não. Nem por um segundo pensei que não deveria ter vindo, que gostaria de ter ficado ou de voltar para lá. Cada vez que descubro um pedacinho novo por aqui, cada vez que piso na Avenida Paulista e a cada nova pessoa que eu conheço eu tenho mais certeza que é aqui.
Foi como já me disseram: “Amanda, calma. Não tenha pressa em viver!”. Quero tudo para ontem, não sei esperar e entro em parafuso se as coisas levam mais que 24 horas para acontecer. Pois é, não vou negar. Tenho uma incrível urgência em viver e assumo isso sem medo. Assumo também que tenho plena consciência de que preciso largar mão disso e trabalhar em outros aspectos da minha personalidade - que não é da mais simples... Devia começar a pensar em como lidar com a minha dificuldade em falar não para as pessoas, por exemplo. Mas ahh... Essa, já é outra história.
- Mood:
crazy
Vou contar para vocês: minha vida deu 'A' reviravolta, servia até pra fim de novela dramática. Me formei, terminei um namoro, arranjei um emprego, direcionei minha carreira, fiz cursos, voltei a estudar alemão e percebi - em meio ao furacão - que não pertenço mais a esse lugar o qual habito agora. Decidi então empacotar tudo que me faz bem, que faz parte de mim e migrar para onde eu me sinto feliz até dizer chega. Esta parte da minha vida: em andamento.
No meio de tanta coisa tomei outra decisão: me apaixonar, novamente. Não poderia nem tentar explicar para vocês como eu nasci pra me apaixonar, pra amar e pra esse tipo de sentimento (besta - na visão de alguns descrédulos). Mas daí eu estava com o pé, ou melhor, com os dois pés atrás. Tinha medo de tudo e de todos, por isso optei por uma paixão segura: resolvi me apaixonar por mim mesma. Funcionou. Usei todo o tempo que eu tinha pra me conhecer melhor e descobrir o que me faz realmente feliz. Com isso, aprendi que não sou dependente de ninguém para ser completa... Se no meio do caminho alguém aparecer e me fizer mais apaixonada - por mim mesma, e claro, daí então pelo ser em questão -, vale a pena arriscar.
Ahhh mas se engana quem pensa que é tão fácil assim. Em meio ao tortuoso caminho - que levou alguns meses -, existe sofrimento, choro, arrependimento, alegria, certeza, mudança e um reeguer valioso. O importante é manter firme a ideia que não há ninguém no planeta, exceto você mesmo, que pode evitar sua felicidade. Chega a ser egoísta deixar uma tarefa tão importante nas mãos de outra pessoa...
No meio disso também vem a questão: 'Aiiii meu deus, começar tudo volta?', e é isso mesmo. Passo a passo como a primeira vez, tentando pela miléssima e não deixando de acreditar - eu até deixei por algum tempo, mas é passado. E quando você menos esperar, você vai estar lá, na sua e pronto. Já era, bateu, você entra naquele processo de perder a noção da realidade e achar o mundo todo cor-de-rosa. Aproveite e nada mais.
E se quiser, se agarra no meu lema - que Caio Fernando Abreu moldou tão bem: "Pesos desnecessários causam sempre dores desnecessárias. Esvaziei a mala, olhei no fundo dela, limpei, e estou indo preenchê-la com coisas novas. Sensações novas, situações novas, pessoas novas. Tudo novo.". Então eu vou.
- Mood:
determined
decepção s. f.
Ilusão perdida; Desapontamento; Malogro de uma esperança; Desilusão.
Nunca me senti tão apta para escrever sobre a decepção como hoje. Sinto como se tivesse tatuado ela na pele e nunca mais fosse sair, já é parte de mim. É um tanto quanto desesperador e ao mesmo tempo reconfortante. Reconfortante pelo fato de que tenho a impressão de que não há nada mais que possa me machucar em grande proporção, afinal, já vivenciei dores maiores.
Por um ato excessivamente egoísta me recuso a fazer tanto e não receber nem metade
É a velha expressão de “ser um zero à esquerda”, de se sentir assim e por final se conformar com isso e perceber que tanto faz. Nunca fui acostumada a escrever em primeira pessoa, é difícil e parece falho.
É se sentir anestesiada. É exatamente essa a definição. Quando você parece estar em um lugar surreal onde as coisas que acontecem não conseguem te causar um efeito claro. E é isso que me preocupa. Eu idealizei tudo perfeitamente demais e a decepção me traz a anestesia e já não vejo sentido pra nada.
O olhar perdido, a prática de tarefas sem real sentido, o viver por obrigação. Você espera uma valorização que não vem. Você fala, fala, explicita, mas não é suficiente. Será que é necessário outdoor ou fogos de artifício pra demonstrar o quanto é importante atitudes tão simples, mas tão simples como uma visita surpresa ou um “eu te amo” no meio do dia? Não é difícil e não se gasta nem um real.
Nessa exato momento é viver por viver, não por apreciar.
- Mood:
apathetic
Resumindo tudo: morei 3 meses em Wisconsin Dells, conheci pessoas incríveis, sofri horrores de saudades, fiquei mais forte e aprendi muita coisa. No fim da viagem, meu namorado foi pra lá e viajamos juntos por Chicago e NY. Foi incrível. Voltei chorando por querer assumir meu lado americano por mais tempo, porém, tenho que me formar né? Depois disso, decido o que faço da vida e pra onde vou migrar.
Gostei mesmo foi de congelar diariamente, acompanhando os -30 graus Celsius, de conhecer pessoas do Brasil inteiro bem como dos Estados Unidos todo. De entrar em baladas proibidas pra menores de 21, e por aí vai. Não gostei nenhum pouco de sofrer de saudades, que para amenizar, eu tinha que passar horas e horas no msn a fim de sofrer um pouco menos. Mas até isso tem seus pontos positivos. Nada agora é grande demais pra abalar a relação.
O natal e o ano novo foram datas um tanto quanto depressivas. Acho que nunca damos o devido valor em estar ao lado da família quando nos encontramos longe dela. Felizmente fiz amigos incríveis que tornaram as festas um pouco mais alegres...
Basicamente foi isso. Voltei então pro Brasil, como já disse, chorando. Mas já estou conformada e no presente momento, tomada por uma gripe em função do tempo curitibano (frio-calor-frio) e por aí vai. Sem ter o que fazer resolvi atualizar isso daqui. Quem sabe faça-o com mais frequência daqui pra frente.
Vou voltar pros meus livros e para os remédios que me deixam parecendo uma zumbizinha.
- Mood:
cold